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Cidades Históricas de Minas Gerais

Cidades Históricas de Minas Gerais: Uma Viagem pelo Brasil Colonial


Rua de Tiradentes
Imagem de serginhopacheco por Pixabay

Ver o passado do Brasil é possível ao se visitar as Cidades Históricas de Minas Gerais. Patrimônio cultural e arquitetônico do estado, estas cidades contam em suas ruas de pedra, casarões coloridos, igrejas barrocas e museus fascinantes um pouco da história do país. Mais do que monumentos, elas são testemunhos vivos da época do ouro, convidando os visitantes a mergulharem na beleza das tradições, da fé e da cultura mineira.

O Berço do Ouro e do Barroco

As cidades históricas de Minas Gerais foram erguidas durante o ciclo do ouro, principalmente no século XVIII. A descoberta de grandes jazidas na região atraiu a Coroa Portuguesa e uma multidão em busca de riqueza, transformando o interior do Brasil no centro econômico da colônia. A exploração do ouro e dos diamantes financiou não apenas a coroa, mas também uma explosão cultural e artística sem precedentes: o Barroco Mineiro.

Esse movimento artístico, que encontrava nas igrejas sua maior expressão, foi liderado por grandes mestres como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o pintor Mestre Ataíde. Suas obras, em pedra-sabão e madeira, são um dos maiores tesouros artísticos do Brasil e podem ser admiradas até hoje em diversas cidades.

Principais Cidades Históricas para Visitar

A estrada real que ligava as zonas de mineração ao litoral é hoje a Estrada Real, um roteiro turístico que conecta os principais núcleos históricos. Conheça algumas joias desse circuito:

A Jóia do Barroco: Antiga capital de Minas Gerais (antiga Vila Rica), é a cidade histórica mais famosa e um Patrimônio Mundial da UNESCO. Seu centro é um acervo a céu aberto da arquitetura colonial. O que ver: A imponente Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho; a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, com seu interior transbordando ouro; o Museu da Inconfidência, que conta a história da conspiração pela independência do Brasil; e o charmoso chafariz do Alto da Cruz.

A Primeira Vila: Fundada em 1696, foi a primeira vila, capital e bispado de Minas Gerais. É uma cidade que respira história e tradição, com um ar ainda mais pacato que Ouro Preto. O que ver: A Sé (Catedral) da Sé, a mais antiga da região; a Igreja de São Francisco de Assis; a Mina da Passagem, aberta à visitação; e o bondinho que liga o centro histórico a outros pontos.

O Charme Colonial: Considerada uma das cidades mais bem preservadas e charmosas do Brasil, Tiradentes encanta com suas ruas tranquilas e arquitetura praticamente intacta. O que ver: A Matriz de Santo Antônio, considerada uma das mais belas igrejas do barroco mineiro; o Museu de Sant'Ana; o Largo das Forras, ponto de encontro e eventos; e o passeio de Maria Fumaça até São João del-Rei.

A Cidade dos Sinos: Conhecida por sua forte tradição religiosa e musical, onde os sinos das igrejas ainda tocam em repiques manuais para anunciar as celebrações. O que ver: A Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar; a Igreja de São Francisco de Assis; o Memorial Tancredo Neves (Tancredo, importante político brasileiro, era natural da cidade); e o passeio de Maria Fumaça.

O Ar dos Diamantes: Diferente das cidades da zona mineradora do ouro, Diamantina, no norte do estado, cresceu com a exploração de diamantes e possui uma arquitetura singular, com casarões e becos que sobem e descem as ladeiras. É também Patrimônio Mundial da UNESCO. O que ver: A Casa de Juscelino Kubitschek (presidente que construiu Brasília); a Igreja do Carmo; a Rua da Quitanda; e o Vesperata, evento musical onde músicos se apresentam das sacadas da rua principal.

A Mais Próxima da Capital: Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, Sabará é uma ótima opção para um bate-volta. Sua fundação é uma das mais antigas do estado. O que ver: A Igreja de Nossa Senhora do Ó, uma das mais antigas; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com pinturas de Mestre Ataíde; e o Museu do Ouro, instalado em uma antiga Casa de Fundição.

Santuário do Bom Jesus de Matosinhos: Mundialmente famosa pelos profetas esculpidos por Aleijadinho, Congonhas é um dos mais importantes destinos de turismo religioso e artístico do Brasil. Seu santuário é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.


Além dos Circuitos Tradicionais: Um Roteiro pelas Joias Escondidas de Minas Gerais

Se as ladeiras de Ouro Preto e o charme de Tiradentes já são conhecidos de cor, que tal desbravar um outro lado de Minas Gerais? O estado guarda um sem-número de cidades históricas que, embora menos badaladas, possuem uma autenticidade e um valor histórico-cultural que rivalizam com as grandes estrelas. Prepare-se para uma viagem por 23 destinos que são verdadeiros tesouros escondidos, cada um com uma história única para contar.

1. A Riqueza do Circuito do Ouro e Adjacências

A cerca de 100 km de Belo Horizonte, esta cidade harmoniosa é um dos municípios mais bonitos do estado, aos pés da imponente Serra do Caraça. Seu centro histórico preserva ruas de paralelepípedos, casarões coloniais e a Matriz de Santo Antônio, cuja construção começou em 1713. Foi rota de naturalistas como Von Martius e Spix e recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II. A cidade também tem um interessante capítulo de exploração inglesa de ouro no século XIX e é terra natal do presidente Afonso Pena.

Dominada pela imponente Serra da Piedade, Caeté é o berço da devoção à Padroeira de Minas Gerais. No alto da serra, encontra-se o Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, que abriga uma imagem da santa esculpida por Aleijadinho. De lá, em dias claros, avista-se um panorama de 360 graus das montanhas mineiras, incluindo nove cidades.

Vizinha de Santa Bárbara, Barão de Cocais possui um conjunto arquitetônico notável e bem preservado, com destaque para suas igrejas centenárias. Seu desenvolvimento está ligado à mineração e à Estrada Real, e a cidade mantém construções que remontam ao século XVIII.

Conhecida mundialmente como a "Cidade do Ferro" e terra natal do poeta Carlos Drummond de Andrade, Itabira vai além da mineração. O centro histórico guarda casarões e igrejas do século XVIII, e a casa onde Drummond nasceu é hoje um museu dedicado à sua vida e obra.

Com origem no ciclo do ouro, Itabirito (antigo nome de um mineral de ferro encontrado na região) desenvolveu-se às margens do Rio Itabirito. A cidade preserva um centro histórico com construções do século XVIII, incluindo a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e é cercada por belas paisagens montanhosas.

Pequena cidade com raízes na mineração, Nova Era se destaca pela tranquilidade e pela preservação de sua memória. O município guarda exemplares da arquitetura do período imperial e uma forte ligação com a história do café na região.

Localizada bem perto de Tiradentes e São João del-Rei, Prados é uma daquelas cidades que encantam pelo silêncio e pela preservação. Com um centro histórico praticamente intacto, possui belíssimas igrejas, como a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e casarões coloniais que abrigam ateliês de artistas e artesãos.

Famosa por suas lendas místicas e paisagens rochosas, a cidade é um destino à parte. Seu centro histórico, com ruínas e uma igreja do século XVIII, contrasta com as cavernas e cachoeiras que a cercam, atraindo um turismo em busca de contato com a natureza e o esoterismo.

2. O Esplendor do Norte e dos Vales

A antiga Vila do Príncipe é um dos conjuntos arquitetônicos mais importantes do país, tombado pelo IPHAN em 1938. Sua arquitetura é mais singela, com casas de taipa e madeira que lhe conferem um charme rústico especial. Destaque para a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Casa dos Otoni. Além da história, o Serro é um dos produtores do verdadeiro queijo minas artesanal, patrimônio imaterial da humanidade.

No coração da Estrada Real, esta cidade surgiu em 1702. O arraial prosperou e ainda hoje ostenta um belo conjunto de casarões e quatro igrejas bem edificadas, que atestam a riqueza de outrora. A região é um convite ao ecoturismo, com cachoeiras e paisagens da Serra do Espinhaço.

Fundada em 1727, Minas Novas foi um importante centro de exploração de ouro e algodão, no Vale do Jequitinhonha. Guarda preciosidades como a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, cujo teto, restaurado, revelou pinturas do século XVIII que estavam escondidas sob camadas de tinta.

Também no Vale do Jequitinhonha, Chapada do Norte é um município com forte tradição cultural, especialmente na arte da cerâmica e na música. Sua história é ligada à mineração e à presença de quilombos, preservando até hoje uma rica herança africana e indígena.

Nos confins da Serra do Espinhaço, no norte de Minas, Grão Mogol é um lugar de beleza árida e história rica. Foi um próspero centro de exploração de diamantes no século XIX. Hoje, seu centro histórico de ruas tranquilas e construções simples contrasta com a paisagem do cerrado.

Às margens do Rio São Francisco, Januária é um importante polo do norte de Minas. Sua história remonta ao século XVIII, com a ocupação das margens do "Velho Chico". O centro histórico guarda belos exemplares da arquitetura do período, e a cidade é a porta de entrada para o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil.

3. O Charme do Sul de Minas e do Oeste

Considerada a "cidade mãe" do Sul de Minas, Campanha teve origem em 1737 como um ponto estratégico nas rotas comerciais. Diferente dos núcleos mineradores, manteve sua relevância econômica com a agropecuária e o comércio, tornando-se um polo intelectual e religioso. Foi ali que nasceu o cientista Vital Brazil, fundador do Instituto Butantan, e onde Euclides da Cunha escreveu os primeiros capítulos de Os Sertões.

O nome de origem tupi-guarani significa "clareira na mata". A primeira casa foi erguida em 1717, e a cidade se desenvolveu às margens do Rio Baependi. É um importante centro de turismo religioso e rural, com belas cachoeiras e a tradicional Festa de Nossa Senhora do Mont-Serrat.

No noroeste de Minas, perto de Brasília, Paracatu é uma das cidades históricas com um dos conjuntos mais bem preservados, tombado pelo IPHAN. O arraial se consolidou com a descoberta de ouro e prata. Foi elevada a vila em 1798 e ainda hoje mantém um rico centro histórico, com igrejas, museu e casarões coloniais.

Antiga "Bagagem", esta cidade do Triângulo Mineiro tem uma das histórias mais fascinantes ligadas aos diamantes. Em 1853, uma escrava chamada Rosa encontrou um diamante de rara beleza e 254,5 quilates, que ficou mundialmente conhecido como "Estrela do Sul". A cidade, que mais tarde adotou o nome do diamante, guarda um acervo arquitetônico de relevante valor, com casarões, sobrados e muros de pedra.

4. A História nos Arredores da Capital

Com uma fundação que remonta ao final do século XVII, Santa Luzia é um dos municípios mais antigos da região metropolitana. Seu centro histórico, às margens do Rio das Velhas, é um conjunto rico e pouco explorado, com igrejas como a Matriz de Santa Luzia e o Sobrado da Intendência, que lembram a importância do lugar como entreposto comercial no período colonial.

Mundialmente famosa pelos sítios arqueológicos e paleontológicos, Lagoa Santa é um destino para os amantes da história da humanidade. Foi ali que o naturalista dinamarquês Peter Lund encontrou, no século XIX, os fósseis de megafauna e o crânio de "Luzia", um dos mais antigos fósseis humanos das Américas. A cidade alia essa importância científica a um centro histórico com construções do século XVIII.

No centro-oeste mineiro, Itapecerica é um convite a uma viagem no tempo. Seu centro histórico, com mais de 200 casarões e sobrados coloniais e imperiais, é um dos conjuntos mais bem preservados e homogêneos de Minas. A cidade é um verdadeiro museu a céu aberto.

Uma das mais antigas povoações do oeste mineiro, Pitangui surgiu em 1708. Sua história é marcada pela Guerra dos Emboabas e pela resistência dos primeiros colonizadores. O centro histórico guarda igrejas setecentistas e casarões que remontam ao período áureo da mineração.

Dicas para sua Viagem no Tempo

Melhor época: O clima ameno de outono (abril a setembro) é ideal para caminhar pelas ladeiras. O inverno pode ser seco e frio.
Gastronomia: Aproveite para se deliciar com a verdadeira comida mineira: tutu, feijão tropeiro, frango com quiabo, leitão à pururuca e, claro, os deliciosos doces caseiros e o pão de queijo.
Artesanato: Leve uma lembrança! As cidades são repletas de lojas com peças em pedra-sabão, estanho, tear e cerâmica.
Como chegar: O principal acesso para a maioria das cidades históricas (circuito Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João) é por Belo Horizonte. Diamantina fica mais distante, com acesso também por BH.

Visitar as cidades históricas de Minas Gerais é fazer uma verdadeira viagem no tempo, compreendendo as raízes do Brasil e se encantando com a beleza, a fé e a hospitalidade do povo mineiro. Prepare as malas, calce um sapato confortável e venha se perder (e se encontrar) nas ladeiras da história.

 

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