Cidades Históricas de Minas Gerais
Cidades Históricas de Minas Gerais: Uma Viagem pelo Brasil Colonial

Ver o passado do Brasil é possível ao se visitar as Cidades Históricas de Minas Gerais. Patrimônio cultural e arquitetônico do estado, estas cidades contam em suas ruas de pedra, casarões coloridos, igrejas barrocas e museus fascinantes um pouco da história do país. Mais do que monumentos, elas são testemunhos vivos da época do ouro, convidando os visitantes a mergulharem na beleza das tradições, da fé e da cultura mineira.
O Berço do Ouro e do Barroco
As cidades históricas de Minas Gerais foram erguidas durante o ciclo do ouro, principalmente no século XVIII. A descoberta de grandes jazidas na região atraiu a Coroa Portuguesa e uma multidão em busca de riqueza, transformando o interior do Brasil no centro econômico da colônia. A exploração do ouro e dos diamantes financiou não apenas a coroa, mas também uma explosão cultural e artística sem precedentes: o Barroco Mineiro.
Esse movimento artístico, que encontrava nas igrejas sua maior expressão, foi liderado por grandes mestres como Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, e o pintor Mestre Ataíde. Suas obras, em pedra-sabão e madeira, são um dos maiores tesouros artísticos do Brasil e podem ser admiradas até hoje em diversas cidades.
Principais Cidades Históricas para Visitar
A estrada real que ligava as zonas de mineração ao litoral é hoje a Estrada Real, um roteiro turístico que conecta os principais núcleos históricos. Conheça algumas joias desse circuito:
Ouro Preto
A Jóia do Barroco: Antiga capital de Minas Gerais (antiga Vila Rica), é a cidade histórica mais famosa e um Patrimônio Mundial da UNESCO. Seu centro é um acervo a céu aberto da arquitetura colonial. O que ver: A imponente Igreja de São Francisco de Assis, projetada por Aleijadinho; a Matriz de Nossa Senhora do Pilar, com seu interior transbordando ouro; o Museu da Inconfidência, que conta a história da conspiração pela independência do Brasil; e o charmoso chafariz do Alto da Cruz.
Mariana
A Primeira Vila: Fundada em 1696, foi a primeira vila, capital e bispado de Minas Gerais. É uma cidade que respira história e tradição, com um ar ainda mais pacato que Ouro Preto. O que ver: A Sé (Catedral) da Sé, a mais antiga da região; a Igreja de São Francisco de Assis; a Mina da Passagem, aberta à visitação; e o bondinho que liga o centro histórico a outros pontos.
Tiradentes
O Charme Colonial: Considerada uma das cidades mais bem preservadas e charmosas do Brasil, Tiradentes encanta com suas ruas tranquilas e arquitetura praticamente intacta. O que ver: A Matriz de Santo Antônio, considerada uma das mais belas igrejas do barroco mineiro; o Museu de Sant'Ana; o Largo das Forras, ponto de encontro e eventos; e o passeio de Maria Fumaça até São João del-Rei.
São João del-Rei
A Cidade dos Sinos: Conhecida por sua forte tradição religiosa e musical, onde os sinos das igrejas ainda tocam em repiques manuais para anunciar as celebrações. O que ver: A Catedral Basílica de Nossa Senhora do Pilar; a Igreja de São Francisco de Assis; o Memorial Tancredo Neves (Tancredo, importante político brasileiro, era natural da cidade); e o passeio de Maria Fumaça.
Diamantina
O Ar dos Diamantes: Diferente das cidades da zona mineradora do ouro, Diamantina, no norte do estado, cresceu com a exploração de diamantes e possui uma arquitetura singular, com casarões e becos que sobem e descem as ladeiras. É também Patrimônio Mundial da UNESCO. O que ver: A Casa de Juscelino Kubitschek (presidente que construiu Brasília); a Igreja do Carmo; a Rua da Quitanda; e o Vesperata, evento musical onde músicos se apresentam das sacadas da rua principal.
Sabará
A Mais Próxima da Capital: Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, Sabará é uma ótima opção para um bate-volta. Sua fundação é uma das mais antigas do estado. O que ver: A Igreja de Nossa Senhora do Ó, uma das mais antigas; a Igreja de Nossa Senhora do Carmo, com pinturas de Mestre Ataíde; e o Museu do Ouro, instalado em uma antiga Casa de Fundição.
Congonhas
Santuário do Bom Jesus de Matosinhos: Mundialmente famosa pelos profetas esculpidos por Aleijadinho, Congonhas é um dos mais importantes destinos de turismo religioso e artístico do Brasil. Seu santuário é Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO.
Além dos Circuitos Tradicionais: Um Roteiro pelas Joias Escondidas de Minas Gerais
Se as ladeiras de Ouro Preto e o charme de Tiradentes já são conhecidos de cor, que tal desbravar um outro lado de Minas Gerais? O estado guarda um sem-número de cidades históricas que, embora menos badaladas, possuem uma autenticidade e um valor histórico-cultural que rivalizam com as grandes estrelas. Prepare-se para uma viagem por 23 destinos que são verdadeiros tesouros escondidos, cada um com uma história única para contar.
1. A Riqueza do Circuito do Ouro e Adjacências
Santa Bárbara
A cerca de 100 km de Belo Horizonte, esta cidade harmoniosa é um dos municípios mais bonitos do estado, aos pés da imponente Serra do Caraça. Seu centro histórico preserva ruas de paralelepípedos, casarões coloniais e a Matriz de Santo Antônio, cuja construção começou em 1713. Foi rota de naturalistas como Von Martius e Spix e recebeu a visita do Imperador Dom Pedro II. A cidade também tem um interessante capítulo de exploração inglesa de ouro no século XIX e é terra natal do presidente Afonso Pena.
Caeté
Dominada pela imponente Serra da Piedade, Caeté é o berço da devoção à Padroeira de Minas Gerais. No alto da serra, encontra-se o Santuário Basílica Nossa Senhora da Piedade, que abriga uma imagem da santa esculpida por Aleijadinho. De lá, em dias claros, avista-se um panorama de 360 graus das montanhas mineiras, incluindo nove cidades.
Barão de Cocais
Vizinha de Santa Bárbara, Barão de Cocais possui um conjunto arquitetônico notável e bem preservado, com destaque para suas igrejas centenárias. Seu desenvolvimento está ligado à mineração e à Estrada Real, e a cidade mantém construções que remontam ao século XVIII.
Itabira
Conhecida mundialmente como a "Cidade do Ferro" e terra natal do poeta Carlos Drummond de Andrade, Itabira vai além da mineração. O centro histórico guarda casarões e igrejas do século XVIII, e a casa onde Drummond nasceu é hoje um museu dedicado à sua vida e obra.
Itabirito
Com origem no ciclo do ouro, Itabirito (antigo nome de um mineral de ferro encontrado na região) desenvolveu-se às margens do Rio Itabirito. A cidade preserva um centro histórico com construções do século XVIII, incluindo a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e é cercada por belas paisagens montanhosas.
Nova Era
Pequena cidade com raízes na mineração, Nova Era se destaca pela tranquilidade e pela preservação de sua memória. O município guarda exemplares da arquitetura do período imperial e uma forte ligação com a história do café na região.
Prados
Localizada bem perto de Tiradentes e São João del-Rei, Prados é uma daquelas cidades que encantam pelo silêncio e pela preservação. Com um centro histórico praticamente intacto, possui belíssimas igrejas, como a Matriz de Nossa Senhora da Conceição, e casarões coloniais que abrigam ateliês de artistas e artesãos.
São Thomé das Letras
Famosa por suas lendas místicas e paisagens rochosas, a cidade é um destino à parte. Seu centro histórico, com ruínas e uma igreja do século XVIII, contrasta com as cavernas e cachoeiras que a cercam, atraindo um turismo em busca de contato com a natureza e o esoterismo.
2. O Esplendor do Norte e dos Vales
Serro
A antiga Vila do Príncipe é um dos conjuntos arquitetônicos mais importantes do país, tombado pelo IPHAN em 1938. Sua arquitetura é mais singela, com casas de taipa e madeira que lhe conferem um charme rústico especial. Destaque para a Matriz de Nossa Senhora da Conceição e a Casa dos Otoni. Além da história, o Serro é um dos produtores do verdadeiro queijo minas artesanal, patrimônio imaterial da humanidade.
Conceição do Mato Dentro
No coração da Estrada Real, esta cidade surgiu em 1702. O arraial prosperou e ainda hoje ostenta um belo conjunto de casarões e quatro igrejas bem edificadas, que atestam a riqueza de outrora. A região é um convite ao ecoturismo, com cachoeiras e paisagens da Serra do Espinhaço.
Minas Novas
Fundada em 1727, Minas Novas foi um importante centro de exploração de ouro e algodão, no Vale do Jequitinhonha. Guarda preciosidades como a Igreja de Nossa Senhora do Amparo, cujo teto, restaurado, revelou pinturas do século XVIII que estavam escondidas sob camadas de tinta.
Chapada do Norte
Também no Vale do Jequitinhonha, Chapada do Norte é um município com forte tradição cultural, especialmente na arte da cerâmica e na música. Sua história é ligada à mineração e à presença de quilombos, preservando até hoje uma rica herança africana e indígena.
Grão Mogol
Nos confins da Serra do Espinhaço, no norte de Minas, Grão Mogol é um lugar de beleza árida e história rica. Foi um próspero centro de exploração de diamantes no século XIX. Hoje, seu centro histórico de ruas tranquilas e construções simples contrasta com a paisagem do cerrado.
Januária
Às margens do Rio São Francisco, Januária é um importante polo do norte de Minas. Sua história remonta ao século XVIII, com a ocupação das margens do "Velho Chico". O centro histórico guarda belos exemplares da arquitetura do período, e a cidade é a porta de entrada para o Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, um dos mais importantes sítios arqueológicos do Brasil.
3. O Charme do Sul de Minas e do Oeste
Campanha
Considerada a "cidade mãe" do Sul de Minas, Campanha teve origem em 1737 como um ponto estratégico nas rotas comerciais. Diferente dos núcleos mineradores, manteve sua relevância econômica com a agropecuária e o comércio, tornando-se um polo intelectual e religioso. Foi ali que nasceu o cientista Vital Brazil, fundador do Instituto Butantan, e onde Euclides da Cunha escreveu os primeiros capítulos de Os Sertões.
Baependi
O nome de origem tupi-guarani significa "clareira na mata". A primeira casa foi erguida em 1717, e a cidade se desenvolveu às margens do Rio Baependi. É um importante centro de turismo religioso e rural, com belas cachoeiras e a tradicional Festa de Nossa Senhora do Mont-Serrat.
Paracatu
No noroeste de Minas, perto de Brasília, Paracatu é uma das cidades históricas com um dos conjuntos mais bem preservados, tombado pelo IPHAN. O arraial se consolidou com a descoberta de ouro e prata. Foi elevada a vila em 1798 e ainda hoje mantém um rico centro histórico, com igrejas, museu e casarões coloniais.
Estrela do Sul
Antiga "Bagagem", esta cidade do Triângulo Mineiro tem uma das histórias mais fascinantes ligadas aos diamantes. Em 1853, uma escrava chamada Rosa encontrou um diamante de rara beleza e 254,5 quilates, que ficou mundialmente conhecido como "Estrela do Sul". A cidade, que mais tarde adotou o nome do diamante, guarda um acervo arquitetônico de relevante valor, com casarões, sobrados e muros de pedra.
4. A História nos Arredores da Capital
Santa Luzia
Com uma fundação que remonta ao final do século XVII, Santa Luzia é um dos municípios mais antigos da região metropolitana. Seu centro histórico, às margens do Rio das Velhas, é um conjunto rico e pouco explorado, com igrejas como a Matriz de Santa Luzia e o Sobrado da Intendência, que lembram a importância do lugar como entreposto comercial no período colonial.
Lagoa Santa
Mundialmente famosa pelos sítios arqueológicos e paleontológicos, Lagoa Santa é um destino para os amantes da história da humanidade. Foi ali que o naturalista dinamarquês Peter Lund encontrou, no século XIX, os fósseis de megafauna e o crânio de "Luzia", um dos mais antigos fósseis humanos das Américas. A cidade alia essa importância científica a um centro histórico com construções do século XVIII.
Itapecerica
No centro-oeste mineiro, Itapecerica é um convite a uma viagem no tempo. Seu centro histórico, com mais de 200 casarões e sobrados coloniais e imperiais, é um dos conjuntos mais bem preservados e homogêneos de Minas. A cidade é um verdadeiro museu a céu aberto.
Pitangui
Uma das mais antigas povoações do oeste mineiro, Pitangui surgiu em 1708. Sua história é marcada pela Guerra dos Emboabas e pela resistência dos primeiros colonizadores. O centro histórico guarda igrejas setecentistas e casarões que remontam ao período áureo da mineração.
Dicas para sua Viagem no Tempo
Melhor época: O clima ameno de outono (abril a setembro) é ideal para caminhar pelas ladeiras. O inverno pode ser seco e frio.
Gastronomia: Aproveite para se deliciar com a verdadeira comida mineira: tutu, feijão tropeiro, frango com quiabo, leitão à pururuca e, claro, os deliciosos doces caseiros e o pão de queijo.
Artesanato: Leve uma lembrança! As cidades são repletas de lojas com peças em pedra-sabão, estanho, tear e cerâmica.
Como chegar: O principal acesso para a maioria das cidades históricas (circuito Ouro Preto, Mariana, Tiradentes, São João) é por Belo Horizonte. Diamantina fica mais distante, com acesso também por BH.
Visitar as cidades históricas de Minas Gerais é fazer uma verdadeira viagem no tempo, compreendendo as raízes do Brasil e se encantando com a beleza, a fé e a hospitalidade do povo mineiro. Prepare as malas, calce um sapato confortável e venha se perder (e se encontrar) nas ladeiras da história.